Depois do carnaval | Por Romilto Lopes


Bom, é carnaval!!! Não que isso me estimule muito. Confesso que não sou dado a festas e farras públicas (nem mesmo as festas privadas, rsrs). Mas hoje, especificamente, venho falar de algo que parece ser uma crença popular bastante divulgada em nossa cultura: o ano só começa, aqui no Brasil, depois do carnaval. Típico de um país do futuro, sempre no futuro, é claro, enquanto problemas continuam a assolar a população no presente.

Saúde pública precária, farras com dinheiro público, corrupção em alta: esqueça, é claro, porque somos o país do futuro. Das boas vibes, festejos e tradições. Somos gente de bem, calorosos, afetuosos… Esses e outros jargões comumente usados para despistar a realidade que está aí na fila dos bancos, no cotidiano, nas famílias (em suas diversas formas).

Parece que temos uma certa dificuldade de analisar a realidade e mais dificuldade ainda em aceitá-la tal como é. Creio, e isso é minha opinião, que por isso sejamos bons em festas, jargões e fé. Somos o país com tantos sincretismos religiosos, filosóficos e pregamos um puritanismo admirável. Realmente admirável.

Enfim, somos um país de promessas voltadas ao futuro, mas com problemas graves no presente. E esse ilusionismo é quem tem feito a duras penas o cidadão arcar com as consequências. Sem ser leviano, mas acho quase impossível acreditar em pesquisas estatísticas no contexto atual: a cada governo uma nova mentira, uma nova forma de divulgar “resultados” e possibilidades vindouras. Em todo caso, sempre vindouras. Antes eram PAC’s e outros tantos programas, agora são os famosos investimentos na “melhoria” (?) da educação, saúde, PREVIDÊNCIA etc. Vivemos sob uma democracia com tons e privilégios de uma monarquia teocrática (pra quem não sabe que possui direitos divinos), bem ao estilo faraônico mesmo.

Resta saber se os escravos, vulgo cidadãos, conseguirão arcar com esse acúmulo previdenciário e de boa vida para pós morte que os (des)governantes realizam com as arrecadações, propinas e outros mais.

Realmente, vivemos a melhor época do ano: o carnaval. Com ele, colocamos nossa principal máscara para continuar a ilusão do país do futuro, com muito brilho e pouca aplicabilidade cotidiana. Apenas exuberância decaída: o verdadeiro espetáculo da contemporaneidade.

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