Otherlife: a realidade criada


Decidi não escolher muito quando entrei no site. Li alguns títulos e Otherlife me parecia uma boa opção. A curta descrição despertou meu interesse e escolhi assistir.

A proposta do filme é simples: mostrar a possibilidade de criação de memórias através de uma nova droga – um software biológico que altera a percepção do cérebro produzindo experiências curtas ao indivíduo. Já que nosso cérebro não consegue distinguir percepção da realidade física da percepção de sonhos, por exemplo,  a base do filme ilustra a tentativa de uma empresa em desenvolver experiências capazes de satisfazer os indivíduos.

Em uma das cenas do filme, a propaganda promovida pelo fundador da empresa para angariar fundos de investimentos enumera os benefícios do software biológico: em uma vida corrida, agitada, com tantos compromissos e sem tempo para experiências com a realidade, o software possibilitaria viver diversas aventuras, treinamentos, simulações dentro de um minuto. O tempo nessas experiências não corresponde com o tempo cronometrado de nossa realidade compartilhada.

Muitas obras, filmes, artigos e tantos outros falam do desejo de muitos de nós controlar as experiências que podemos viver. Imagine se você conseguisse adquirir uma experiência com um enredo perfeito, sem problemas: aquela viagem tão sonhada – a um preço baixo e podendo vivê-la em um minuto, depois de um dia estressante no trabalho. Parece tentador? E de fato é.

Mas quais as implicações para as nossas relações sociais na realidade compartilhada? Se com as redes sociais – uma espécie de droga e software de controle social – já podemos acompanhar as mudanças nas expressões humanas, como seriam as nossas formas de ser e estar no mundo se pudermos optar por fugir dele com enredos quimicamente vividos em nosso cérebro?

O filme vale o tempo investido. Então, não tema. Acesse e confira a discussão que uma tal realidade poderia suscitar para nossa sociedade.

 

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