Só copular não basta


07 bilhões de pessoas no mundo, e nenhuma foi gerada por um casal “gay”.

Olha que frase interessante! Deparei-me com ela nas redes sociais. Sem o tradicional ataque a quem a republicou de uma página, supostamente isenta de opiniões fixas, pensei em uma resposta emotiva: “Em compensação, há milhares que foram GERADAS e abandonadas por héteros. Deve ser para equilibrar a balança da vida, correto?”. Mas confesso que desisti da resposta.

Então, faço alguns apontamentos a respeito da sexualidade humana, que é o centro da discussão em torno da frase. Freud e outros autores já provaram que o humano se desligou em vários aspectos dos ciclos biológicos que regem o reino animal, do qual pertencemos. Não copulamos mais – há milhares de anos – influenciados por um cio que determina a hora da cópula. E mais! Para os humanos, a cópula não é suficiente, deve haver o gozo. E esse se difere substancialmente da resposta biológica conhecida como ejaculação, que para os desavisados consiste na “emissão de esperma” (vide Dicionário Aurélio). Aqui reside o problema na vida sexual de algumas pessoas: achar que ejacular é gozar, pronto e acabou. As famosas “rapidinhas” aliviam uma carga hormonal, mas não dão o sentido a relação que se experimenta em uma relação de complementaridade com outra pessoa em sua inteireza e alteridade. Em outras palavras: procriar não é a única finalidade da relação sexual entre duas pessoas e quem se limita a tal finalidade não se experimenta com uma pessoa madura em suas funções psíquicas, sexuais e de alteridade. Enfim, só procriar, gerar filhotes, não te fará feliz sexualmente. E compreendemos a sexualidade como uma manifestação da personalidade, da liberdade de ser que podemos ser. Isso é gozo. “O que pertence ao gozo não é de modo algum redutível a um naturalismo”1.

Resumindo, nós – humanos – AMAMOS e não copulamos. E o amor não está definido, ordenado, regulado pela biologia, mas construído pelos vínculos que desenvolvemos.

 

1 Dicionário Enciclopédico de Psicanálise – O legado de Freud e Lacan. Editado por Pierra Kaufmann. Editora Jorge Zahar Editor. 1996.

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