Precisamos aprender a tocar violão


Precisamos aprender a tocar violão! Ou qualquer outra coisa, incluindo pessoas. Estamos ficando altamente tecnológicos e tudo está a um clique, a um toque de nossos dedos, mas parece que não conseguimos tocar aquilo que é mais importante, o essencial. Precisamos aprender a tocar o outro, tocar em sua história, em sua existência.

Essa semana – na verdade, domingo – eu resolvi pegar o violão para tocar um pouco. Há muito tempo que não fazia isso. O violão estava desafinado, com as cordas frouxas. Quando fui afinar, a última corda “quebrou”. E acho que ando meio sentimental, ou metido a filósofo de boteco. E lembrei-me de antigas conversas e reflexões com amigos. Para extrairmos um som agradável do violão precisamos mais do que pegar e tocar nas cordas. É preciso conhecer um pouco de teoria musical, saber onde colocar os dedos, onde apertar as cordas. Mas antes, para que a melodia seja agradável, é preciso que o violão esteja afinado. E isso depende da tensão correta suportada por cada corda. A maioria das pessoas não sabem tocar violão e dizem de boca cheia que basta pegar e tocar qualquer coisa. Sons agradáveis não são produzidos assim, de qualquer jeito, apertando em qualquer lugar e com as cordas esticadas em uma tensão errada.

Os nossos relacionamentos parecem seguir algum padrão semelhante com o som que produzimos ou não com o violão. Precisamos afinar as cordas: os sentimentos, os limites, os detalhes, a maneira de se conhecer, de se aproximar ou de manter distância. Precisamos aprender a tocar as pessoas. E não digo apenas aprender a tocar nos nossos corpos para produzir prazer ou qualquer forma de gozo, mas tocar na existência, na história do outro para produzir um som agradável, chamado relacionamento.

Muitos de nós, ou nós na maioria do tempo, tocamos uns aos outros produzindo diversos tipos de relacionamentos, mas somente os agradáveis – aqueles que nos darão uma melodia que pode ser repetida diversas vezes como a nossa música favorita – somente esses permanecem. Alguns relacionamentos são como essas modinhas de carnaval brasileiro: a cada ano uma música enjoativa nova. Outros relacionamentos são músicas do Legião Urbana – memoráveis, contando verdades que não somem e sempre atuais.

Uma boa pergunta a nos fazer é se estamos priorizando modinhas de carnaval, mesmo fora de época ou tocando com mais constância melodias que nos fazem viver, reviver, querer ver e viver.

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