E quando se escolhe não continuar


O queridinho da vez, em forma de filme, é claro, traz também uma questão pouco discutida e protegida com um tabu socialmente bem construído: a morte assistida. O filme “Como eu era antes de você” discute o amor e suas possibilidades (e suas impossibilidades dependendo do ângulo de visão). Contudo, descreve uma personagem decidida em não continuar vivendo. O rapaz era cheio de vida, empresário de sucesso, acostumado com uma liberdade tremenda. O que fazer quando tudo isso se esvai e o que fica é uma vida fadada às limitações com as quais não se afeiçoa.
Religiosamente somos educados para crer que o amor tudo salva, recupera, regenera. Em outro texto aqui, eu disse que o amor era suficiente para dar sentido às experiências que fazemos. Mas disse também que era preciso olhar de forma mais ampla. Às vezes, precisamos de amor para libertar as pessoas das correntes que lançamos sobre elas com os vínculos (cheios de expectativas e condições), criados ao longo do tempo.
E por mais absurdo que pareça para alguns de nós, existem pessoas que gostariam de não continuar vivendo. E todos têm seus motivos. Inexplicáveis para a maioria de nós, que cremos que o valor máximo é a vida. Porém, essa não é uma máxima lógica aplicável a todos, pois nem todos se curvam aos sentidos existenciais comumente criados. E só a partir de uma moral estabelecida (cristã, racionalista, cientificista, islâmica, judaica ou seja lá qual for a sua moral) é que classificamos se está certo ou não optar pela morte assistida.
Procuramos independência e vivemos sob a pedra fundamental chamada liberdade. Se privamos as pessoas de escolher o destino de suas vidas nos igualamos aos estados totalitários que acreditam saber a priori o que é bom ou ruim, adequado ou inadequado para todo e qualquer cidadão.
O Conselho Federal de Psicologia promoveu um amplo debate sobre o suicídio. Há um texto disponível para download que aborda diversas questões importantes. E uma que me chamou a atenção é a falta de diferenciação das diversas formas de morrer. Veja o vídeo ou acesso o material para leitura.

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